8 de fev de 2011

Entrevista de Cesar Millan

Resolvi colocar essa entrevista  pois é meu modo de ver as coisas. Meu trabalho é baseado nos seus métodos e no seu modo de ver os cães. Os textos em negritos foram marcado por mim.

"O apresentador de “O Encantador de Cães” rebate às críticas ao seu método de adestramento e fala sobre seu novo livro, em que vai ensinar técnicas variadas: "Qualquer que seja o método, é preciso ganhar a confiança, o respeito e a lealdade de seu cão"


Como o senhor definiria o seu método de treinamento?
Cesar Millan – Não é um método – uso conceitos baseados em minhas próprias observações de uma vida toda cercado por cães. Por exemplo, de observar o comportamento das mães e os líderes da matilha em seu habitat natural. Mas você não pode usar nenhum método sem a confiança, o respeito e a lealdade de seu cão. Sem isso, perde-se a mensagem do que faço. Existe uma razão pela qual eu não me considero um adestrador. Sinto que os humanos precisam entender 100% como ganhar a confiança, o respeito e a lealdade de seus cães antes de ajudá-los ou condicioná-los.
Alguns membros da comunidade científica estão questionando o conceito de dominância, de "cachorro alfa", que é central para seu processo de treinamento. O que o senhor tem a dizer?
Millan – Isso é semântica. Desde que o mundo é mundo as pessoas concordam e discordam. A mãe de uma alcateia tem que liderar. Isso significa que ela protege, guia e tem a confiança, o respeito e a lealdade do grupo. Essa é a definição de dominação. Não é uma palavra, é um sentimento. “Dominar” não é ser mau, é ter o controle da situação.

Em alguns casos, o senhor usa a força física para afirmar o seu domínio sobre os cães. Algumas pessoas o criticam por isso, argumentando que nunca se deve usar de coerção com cães. O senhor concorda?
Millan Meus métodos de correção imitam os comportamentos que os cães têm com os outros em matilhas selvagens. O meu “toque” de correção foi criado para imitar o beliscão que a cadela dá em seu filhote quando discorda de seu comportamento. Meus métodos não têm a ver com força, têm a ver com autoridade e liderança. Não acredito que eles sejam o único meio de conseguir recuperar ou treinar um cão, mas funcionam para mim, e funcionaram para muitas outras pessoas também. Acredito que a violência nunca é uma ferramenta útil no adestramento. Você nunca deve gritar com o cão ou bater nele. Além de ser cruel, é prejudicial ao processo de treinamento. Nunca ajuda. Recomendo que as pessoas usem qualquer método com o qual se sintam mais confortáveis e com os quais atinjam seus objetivos de maneira humana.
As pessoas devem usar o método da dominação em casa?
Millan – Novamente, dominação não é uma palavra, é um sentimento. É confiança, respeito, lealdade; controlar a situação com maestria. Acredito em liderar a matilha, então, se o dono mostra calma e uma energia assertiva, o cão também vai ficar calmo e exibir uma energia submissa. O humano deve sempre ser o líder.
O senhor acha que é possível treinar um cão usando apenas o reforço positivo?
Millan – Há muitas escolas de pensamento a respeito de que método gera os resultados mais consistentes e confiáveis no treinamento canino. Alguns adestradores usam apenas técnicas baseadas em recompensas, enquanto outros usam "punições positivas", ou correções que usam um toque físico ou um som, para conseguir os resultados desejados. Eu pessoalmente não me vejo como um adestrador de cães. Adestramento é "vem", "senta", "fica". Eu reabilito cães com problemas de comportamento e treino seus donos para se comunicar melhor com seus animais e entendê-los, para evitar problemas futuros. Há elementos de adestramento nisso, mas são secundários ao meu objetivo. Se preciso mostrar a um cachorro a maneira correta de se comportar, eu o apresento à minha calma e submissa matilha. O melhor professor para um cão é outro cão.
Millan – Quero que as pessoas entendam que o melhor método é aquele com o qual elas se sentem mais à vontade. Há muitos métodos diferentes e quis falar de todos e dar a perspectiva de alguns dos melhores adestradores do mundo para que as pessoas tenham as ferramentas de que precisam para construir uma boa relação com seus cães. Na essência, qualquer que seja o método – quer você use o método do clicker, da liderança da matilha ou qualquer outro –, é preciso ganhar a confiança, o respeito e a lealdade de seu cão. Nós podemos executar o adestramento de formas diferentes, mas o objetivo é o mesmo independentemente do método. Com o passar dos anos, incorporei novas técnicas e novos princípios aos meus métodos. Mas a minha filosofia básica foi e sempre será baseada em satisfazer a verdadeira natureza canina e prover ao animal um ambiente estável para que ele encontre seu próprio equilíbrio. A psicologia do cão nunca vai mudar; os cachorros querem estar em equilíbrio, querem uma liderança calma e assertiva. Dar esse tipo de ambiente aos meus cães e mostrar ao mundo como todos podem fazer o mesmo é o meu objetivo maior.
Muitas pessoas tratam seus cães como bebês e, por isso, tenham tanta aversão à ideia de puni-los. O que o senhor acha disso?

Millan – As pessoas que humanizam os cães não entendem a psicologia deles como animais que vivem em matilhas. Quase todos os problemas dos cães na sociedade moderna vêm de duas coisas: falta de exercício e falta de liderança. Além disso, especialmente nos Estados Unidos, os donos tendem a dar afeição, afeição, e mais afeição, quando o que o cão realmente precisa é exercício, disciplina. Depois, afeição. O conselho que dou às pessoas começa com mostrar ao cão que elas são o líder da matilha. Então, elas devem tentar suprir as necessidades dos cães com exercício, andando com o cão da maneira correta, e praticando a disciplina – dando ao cão regras e limites.